Nós lidamos a bastante tempo com muitas pequenas empresas que precisam competir no meio de grandes tubarões. E a dificuldade é enorme. Da maneira como o mercado e os negócios estão desenhados hoje, a não ser que a pequena empresa seja muito capitalizada (o que ocorre em raríssimas exceções onde startups recebem investimentos em grandes idéias), não há como pequenas empresas normais competirem em bases salariais, de carreira ou de benefícios com grandes corporações. Para que isso seja possível é necessário rever alguns paradigmas do mundo dos negócios atual, e o pequeno empreendedor deve começar a pensar nisso a partir de já:

1 – Constituir uma empresa sincera e genuinamente por uma causa mais nobre do que ganhar dinheiro ou crescer (ou seja, ter propósito forte). Jovens, principalmente da geração Y, são muito sensíveis a causas sociais, ambientais e fortemente voltadas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas ou da comunidade. Se eles sentem que a empresa onde estão tem um compromisso genuíno com uma causa que eles também consideram nobres, terão um compromisso ímpar com a empresa, não importa o tamanho dela.

2 – Como empreendedor, mostrar paixão pela sua causa, e pelo trabalho que faz. A paixão, o amor pelo que se está fazendo, contagia as pessoas. E quanto mais o líder demonstra isso, mais as pessoas querem aprender com o líder, querem se desenvolver com o líder. Ou seja, o trabalho se torna o fim, e não o meio.

“Estruturar a empresa” com ferramentas burocráticas de “gestão”, colocar gerentes para controlar, se distanciar da atividade e começar a decidir via relatórios ou indicadorees transmite exatamente a mensagem oposta, ou seja, de que trabalho é meio (portanto frio, sem paixão) e de que resultado financeiro é o fim. Se o empreendedor começa a transmitir esta mensagem, os estagiários entendem muito bem, e fazem o mesmo, ou seja, começam a pensar em trabalho como um meio de aumentar o próprio retorno financeiro. Então salário e a carreira se tornam mais importantes que o compromisso com uma causa mais nobre, e as grandes corporações levarão vantagem.

Em nosso trabalho, temos várias experiências de micro e pequenas empresas que não possuem nenhum produto ou modelo de negócios inovador (e muito menos capital), e que, através da quebra de alguns paradigmas do mundo dos negócios e da construção de uma nova filosofia de gestão (principalmente em nosso programa PLO), conseguiram montar equipes altamente comprometidas, onde, mesmo em mercados altamente concorridos e sem o mesmo poder de fogo financeiro, elas não perdem pessoas para grandes corporações. Isso é perfeitamente possível e viável, e na nossa opinião os estudantes da geração Y estão esperando por empresas assim.