Entendemos que toda e qualquer pessoa pode viver uma vida plenamente feliz. Sem depender de ninguém, e de nada, para conseguir isso. Porém, a imensa maioria delas, sem perceber, está caminhando na direção oposta a esta felicidade.

Existe um equívoco fundamental no conceito de felicidade que as pessoas carregam consigo, pois elas acreditam que é possível ser feliz agindo motivadas por sentimentos negativos. Sentimentos como vergonha, vaidade, complexos de inferioridade, carências de reconhecimento e aceitação, carências de autoafirmação, competitividade e outros que, por sua vez, disparam emoções negativas como medo e ansiedade, os quais mobilizam a maioria das pessoas a perseguir seus objetivos na vida.

O alívio a estas emoções negativas é equivocadamente confundido pela imensa maioria das pessoas com o sentimento de felicidade. Elas dizem que se consideram felizes geralmente naqueles momentos em que julgam que suas carências estão plenamente supridas. Por exemplo, a pessoa se sente inferior porque todos os colegas receberam uma promoção, mas ela não. Esta carência de reconhecimento alimenta continuamente um sentimento de ansiedade que faz com esta pessoa não se sinta bem (e ela pode tanto abafar como manifestar esse sentimento) até o dia em que ela própria receba uma promoção. Então, quando aquela particular carência de reconhecimento for suprida, a pessoa irá se considerar feliz. O problema é que isso não se trata de felicidade, mas sim, de um sentimento momentâneo de alívio à sua carência. Um sentimento tão momentâneo que, no dia seguinte ela pode se sentir carente novamente quando o colega é elogiado pelo chefe e ela não. O que novamente dispara o sentimento de ansiedade. Ou seja, o sentimento ou emoção predominante na vida da pessoa é o negativo, e somente naqueles momentos pontuais em que encontra alívio para esse sentimento, a pessoa se considera feliz.

Este é o grande equívoco. A maioria das pessoas dedica sua vida para trabalhos, empresas, pessoas e bens cujo único objetivo é aliviar seus sentimentos negativos: “o medo de perder”, “o medo de não conseguir ter”, “o medo de faltar”, “o medo de não ser aceito”, “o medo de parecer mais pobre”, “o medo de ficar pra trás”, “o medo de alguma coisa acontecer”, “o medo de ficar sozinho”, “o medo de ficar mais feio”, “o medo de sofrer”… enfim, elas vivem como se precisassem a todo momento, serem super-heróis cujas decisões ou sacrifício irão sempre garantir que o pior seja evitado. E a cada momento que aliviam algum desses medos ou carências, se dizem felizes… ou seja, pensam que a felicidade reside nesses momentos de alívio.

O problema é que antitérmico não cura a doença. Apesar do alívio momentâneo, os medos e ansiedades continuam lá, e as pessoas continuam sendo mobilizadas e motivadas por esses sentimentos e emoções negativas. Ou seja, continuam vivendo cada vez mais longe do real sentimento de FELICIDADE. E o que é pior, ensinam seus filhos, desde cedo, a cultivarem estes mesmos sentimentos e emoções negativas.

Como sair disso? Afinal, os condicionamentos sociais, educacionais, econômicos e governamentais, além da mídia, fazem questão de continuar gerando e alimentando estes nossos medos e ansiedades. Para que sejamos “cidadãos”, “trabalhadores” e principalmente, “consumidores” previsíveis, é imperativo que estejamos sujeitos àquela sensação de alívio a alguma carência. Alívio que vem sob a forma de uma promoção, de um elogio recebido, de um apartamento, um carro novo, uma mobília ou roupa nova, de uma viagem, de um namorado, de uma festa, de um título, de um rótulo social, de uma vitória do time de futebol ou da escola de samba, enfim… de qualquer coisa externa que alivie nossa carência e nos faça “sentir melhor”, pois alimenta nosso “ego”, deixando-nos a sensação momentânea de mais poderosos.

O fato é que o ser humano não precisa de nada externo para se “sentir melhor”. A verdadeira FELICIDADE não reside na satisfação do “ego”. Não tem nada a ver com alívio a carências, sentimentos e emoções negativas, e muito menos com a sensação de autoafirmação ou poder.

FELICIDADE reside sim no domínio do “ego”. Na capacidade de, independentemente das circunstâncias, sermos capazes de fazer escolhas sem deixarmo-nos levar pela influência de carências ou emoções negativas. Reside no domínio de nossos gostos, desejos e vontades, e na capacidade de canalizá-los para a satisfação de estarmos vivendo o momento presente, sem precisarmos de absolutamente nada. Reside em conseguirmos nos libertar de todos os condicionamentos externos e conseguirmos ouvir o nosso “eu interior”, o nosso “eu” que sempre esteve livre das crenças e emoções oriundas deste “ego”.

E dominar o “ego” não é nenhum bicho de sete cabeças. Outro grande equívoco da humanidade é pensar que para dominar esse “ego” é preciso entendê-lo. O “ego” é uma crença, e isso significa que ele não existe, ou seja, é uma criação da mente humana. Não é real. Não faz parte da nossa natureza. Tentar entendê-lo só faz piorar as coisas porque passamos a dar relevância ao que não existe. As pessoas se submetem a seus “egos” e vivem as emoções oriundas porque acreditam nas coisas que lhe foram ditas por pais, escola, amigos e televisão. Ou seja, porque continuam dando vida a essa crença. Dominar o “ego” significa simplesmente perceber que ele não existe. E perceber que nós podemos, quando quisermos, pela nossa própria escolha, agir livre de sua influência. Agir de acordo com a nossa natureza. Nesse momento abre-se a clareira para o caminho da verdadeira FELICIDADE.