Se tem algo que me instiga, me inquieta, me faz pensar e me move é o estudo do comportamento e das interações humanas. Desde cedo, percebi minha preferência, ao interagir nas brincadeiras com as outras crianças.Enquanto todos só queiram se divertir, eu me ocupava em puxar a responsabilidade de organizar, e combinava como ia se desenrolar a brincadeira. Parecia coisa natural pra mim.

Mais tarde, por volta dos meus 18 anos, motivado pelos amigos e pela vontade de praticar meu hobby preferido, comecei a organizar times de futebol, tanto pra brincar, quanto visando disputar os campeonatos de futebol amador da região. Ao longo dos mais de 25 anos, conquistamos muitas vitórias! Fomos campeões em muitos torneios! Fizemos muitos amigos! Pelas minhas contas, passaram pelas nossas equipes, mais de 100 atletas, parceiros que vivenciaram grandes experiências!!!

Ao mesmo tempo, aos 24 anos de idade, montei minha empresa, a Fittato, inspirado nas marcas famosas da época. Marcas como Hang Loose e Quicksilver, tinham propósitos muito encantadores, parecidos com o que eu queria fazer. Minha idéia era criar moda contemporânea, com as melhores matérias primas existentes, voltada para o estilo de vida livre e natural do surf. Lá se vão 30 anos e continuamos com a Fittato e no mesmo propósito.

Tanto na empresa, quanto no meu hobby, o futebol, o fator que mais me intrigava, era a dificuldade das pessoas em focar num bem comum em detrimento de interesses particulares, o que quase sempre, gerava problemas de relacionamentos.

No futebol isso era muito evidente. Mesmo sendo um hobby, onde ninguém recebia pra jogar, a coisa era muito séria. Talvez por isso mesmo, por ser hobby e todos terem os mesmos direitos, ninguém gostava de esquentar banco, ninguém queria ser substituído, todos queriam jogar e dar seus pitacos.

Pra mim, o futebol sempre foi um laboratório, uma escola pra vida. Era um ótimo ambiente pra estudar as reações emocionais das pessoas, devido a pressão que cada jogo empregava. Quanto mais decisivo era o jogo, mais ingredientes explosivos se somavam. E maior a dificuldade de liderar.

Nessa trajetória, não podia deixar de mencionar as pessoas mais importantes da minha vida, meus pais, meus três irmãos, minha esposa e meus dois filhos. Como em toda família, a minha também trouxe a herança do modelo patriarcal, onde os pais ditam e os filhos obedecem. Isso também foi motivo de distorções na minha educação e gerou muitas crenças e consequências negativas. Apesar de tudo, eles foram os atores principais na minha formação e participaram da minha transformação. Foram a base de tudo. O meu porto seguro!

Tentando entender estas dificuldades de interação e de relacionamentos, fui em busca de aprendizado. Fiz muitos cursos, li muitos livros, participei de muitas vivências, aprendi muito. O maior ganho disso tudo, e talvez a grande descoberta que fiz, foi compreender que tudo passava por eu me conhecer melhor. Quanto mais eu ia me percebendo e me conhecendo, quanto mais eu dominava minhas emoções, mais eu me habilitava pra liderar os grupos e ajudar as pessoas a se unirem e alcançarem seus objetivos.

Encontrei no Instituto Movimento orgânico, uma oportunidade de continuar meu aprendizado e contribuir com minhas experiências nessa área do conhecimento humano.

Temos muito à aprender uns com os outros. Acredito que podemos fazer algo por um mundo mais sustentável e feliz, onde o bem comum vem antes dos interesses particulares. É nisto que foco minha energia hoje.