Três olhares sobre Acordar. As vezes me pergunto: será que sei acordar, fazer bons acordos? Quando faço um acordo, viso a satisfação do outro na mesma proporção da minha? Ou pra mim, acordo bom é aquele que garante o meu ganho independente do ganho ou prejuízo do outro?

No universo, nada fica sem consequências. Tudo vai e volta, as vezes numa proporcionalidade espantosa. Alguns até chamam isso de “lei do retorno”. Ou seja, o engano é pensar só em mim, achando que o prejuízo do outro não vai dar nada.

Todos os dias, ao sairmos da cama, cedo começamos a interagir e combinar coisas com esposa, filhos e pessoas do nosso dia a dia. Vamos “acordando” várias coisas; quem faz o café, quem leva os filhos pra escola, que horas todos precisam sair de casa pra que cheguem a tempo em seus destinos,  como usar o único carro da família, e assim por diante…

Somos chamados à compartilhar decisões a todo instante, desde que saímos da cama até o momento de deitarmos novamente a cabeça no travesseiro.

Logo, saber fazer acordos ou “combinados”, sem querer impor a nossa vontade, é de extrema importância para a nossa felicidade e a felicidade das pessoas com quem nos relacionamos.

O problema é que não fomos ensinados a combinar usando a colaboração. Ao contrário, fomos estimulados a negociar usando a competição. Por isso, toda a negociação vira uma disputa em que os lados buscam estar certos ou levar alguma vantagem.

Seja sincero. Tem como, numa negociação competitiva as duas partes saírem satisfeitas com o resultado? Por aí, se entende o porquê de tantos conflitos nos relacionamentos.

Somos uma sociedade que estimula a competição como se fosse uma virtude! Defendemos em todas as instâncias que precisamos ser competitivos. Exaltamos o bom competidor. Como querer que as pessoas colaborem se valorizamos a competição e educamos nossas crianças à competir?

Competimos por atenção, por estar certos, por medo de ficar pra trás, por se destacar, por “ser alguém”, por ser importante, por status, por vender mais, por dinheiro, por poder, etc. Temos a ilusão que precisamos garantir o nosso primeiro.

Precisamos ACORDAR para a verdade de que não necessitamos competir por nada. Competir só causa frustração e sofrimento. Precisamos é aprender a colaborar e fazer bons combinados.

Colaborar faz muito mais sentido em se tratando de relações saudáveis e felizes. Só traz benefícios. E o mais incrível é que, quanto mais colaboramos, mais somos agraciados com as dádivas que antes achávamos ser possível apenas com a competição.

Quando aprendemos a fazer acordos na base da empatia e colaboração, acolhendo os diversos pontos de vista, trabalhando num ponto de vista do coletivo, visando o ganha x ganha, mais e mais prósperos e felizes nos tornamos. A vida fica mais cheia de amor e cor.

Precisamos ACORDAR!!! ACORDAR no sentido de despertar para a não necessidade de competir. ACORDAR, no sentido de aprender a fazer bons acordos. E ACORDAR, no sentido de A Cor Dar. Dar cor a vida e aos nossos relacionamentos.