Outro dia um amigo me perguntou; “o que é essa liderança Orgânica?” e emendou: “liderança sem veneno?”

Fui obrigado a rir!!

Mas no fundo é isso mesmo. Diante dessa colocação inusitada, comecei a pensar e tentei traçar um paralelo com agricultura orgânica.

Quais são as pragas, seus efeitos, e os defensivos que normalmente usamos para sanar os problemas na agricultura? E na liderança, nas interações humanas, em casa, no clube ou na empresa?

Na agricultura percebemos plantas e frutos doentes e estudamos as pragas para combate las. Nas interações humanas deveria ser assim também. Constatar os efeitos nas pessoas, pelo desânimo, falta de comprometimento, mau humor, estresse, ansiedade, depressão, irritabilidade, medos, falta de criatividade, falta de responsabilidade, etc, investigar as pragas e combate las, a fim de eliminar seus efeitos.

Contudo, na liderança não damos muita importância para as pragas. Queremos logo atacar os efeitos, dando os remédios e venenos que conhecemos. Isso quando não achamos até normal o estresse e os conflitos do dia a dia.

Mas que pragas são essas que estão atacando as pessoas e as interações humanas? E quais técnicas costumamos utilizar???

Tradicionalmente, como mencionei, só percebemos os efeitos e aplicamos as técnicas e defensivos que conhecemos. Impomos mais controles, mais regras, ameaças, punição, recompensas, mimos, persuasão, etc… e se nada funcionar, demitimos ou isolamos a pessoa. Substituímos por outra mais saudável, mais competente e obediente. E assim vamos tocando, apagando incêndios e cortando cabeças em busca de resultados comerciais e financeiros…

A diferença na liderança orgânica é que não se olha apenas para os efeitos. Os efeitos só indicam que alí existem pragas. Por isso são importantes. Mas, o foco principal são as pragas e as técnicas naturais, orgânicas, para combate las. Só assim os efeitos começam a diminuir, sem que tenhamos efeitos colaterais dos venenos tradicionais.

As ditas pragas nas interações humanas são as crenças limitantes, baseadas em incentivo à competição, medos, carências, julgamentos, egoísmo, etc..

Na liderança orgânica o combate acontece, basicamente com auto percepção e técnicas de mudança de crenças.

Concomitantemente, diminuindo os julgamentos, lidando com os erros como oportunidade de aprendizado, tomando decisões em conjunto, fazendo combinados e respeitando o que foi acordado, trabalhando com paixão e por propósito e não por metas financeiras, etc, tudo isso vai matando as “pragas”, transformando o ambiente e os relacionamentos.

Pode até levar um pouco mais de tempo. Mas os resultados são muito libertadores e gratificantes.

As pessoas se sentem mais livres, autônomas, criativas e responsáveis. O comprometimento com o propósito aumenta. As relações ficam mais gostosas e respeitosas. O ambiente fica mais alegre e as pessoas mais felizes.

Os produtos e serviços são entregues com um selo de propósito da organização e das pessoas envolvidas. Isso é claramente percebido por quem se utiliza dos produtos e serviços.

Vale a pena aprender e cultivar relações e lideranças Orgânicas! “Sem venenos e defensivos.”