Há dias venho pensando por que falar para um grande público me assusta. Só de me imaginar no palco e um grupo de cem pessoas na frente, começo a suar. Tentei fatiar esse sentimento que toma conta de mim. Então me imaginei falando sozinha no palco, sem público. Me imaginei também falando com um pano na frente e as pessoas só me ouvindo. Nada disso me assustou. Descubro que o que me apavora é todos estarem olhando para mim. 

E aí percebo, que de verdade, é mostrar minhas vulnerabilidades que me assusta. No livro A Coragem de Ser Imperfeito, Brené Brown trata desse tema de forma simples e transformadora. Mas só hoje conectei meus sentimentos ao que já havia lido. É difícil ter coragem de se mostrar imperfeito. E todos somos imperfeitos.

Num TEDx (link goo.gl/DyNqsS), que eu fortemente recomendo a todos, Brené fala sobre vergonha e vulnerabilidade e o link entre um e outro. A autora diz que a vergonha é o medo da desconexão.  “Há alguma coisa sobre mim, que se outras pessoas souberem ou virem, fará com que eu não mereça conexão?”.  O que sustenta a vergonha, o esse “não sou boa, rica, magra, linda, competente suficiente”, é a vulnerabilidade. Não queremos mostrar a nossa vergonha. E quanto menos falamos sobre, mais ela resiste e persiste.

Na sua pesquisa, Brené detectou um grupo diferente, que chamou de coração-pleno, e que tinha um sentimento profundo de merecimento de amor e pertencimento. Que não temia a desconexão. E o que eles tinham em comum? Eles tinham coragem de serem imperfeitos. Eram gentis com eles mesmos. Eles contavam a história de suas vidas com todo o coração. Eles abraçavam as suas vulnerabilidades. Eles estavam dispostos a abandonar quem pensavam que deveriam ser para serem quem eles eram. 
Mostrar-se vulnerável é um ato de coragem. Falar sobre a própria vergonha também. E é por aí que estou começando.

Já pensou se existem vulnerabilidades que você tenta esconder há anos, esquivando-se aqui e ali, tentando manter a perfeição que não existe?.