Discriminar: Do Latim DISCRIMINARE, “dividir, separar, determinar uma diferença”, derivado de DISCERNERE, “distinguir, separar”, formado por DIS-, “fora”, mais CERNERE, “peneirar, separar”.

Violência e Discriminação

Violência é talvez a maior isca usada pela mídia para prender e controlar os seres humanos. A violência gera a emoção destrutiva do medo. E a emoção destrutiva do medo gera necessidade de proteção, de defesa e de ataque, que gera mais violência. Este padrão é algo que adotamos desde a revolução da agricultura, quando colocamos de lado nossa essência humana colaborativa e abundante, e adotamos a escassez como estilo de vida. Quando paramos de compartilhar uns com os outros recursos que considerávamos abundantes, e passamos a competir uns com os outros por recursos que passamos a considerar escassos. E não existe nenhuma lógica de escassez ou de abundância real nessa mudança de mentalidade que ocorreu, é simplesmente uma imaginação adotada como verdade que direcionou nosso comportamento. Quando buscamos situações reais que possam comprovar que a competição por recursos escassos foi algo necessário para que o ser humano enfrentasse alguma falta, nós não encontramos nenhuma evidencia disso. Pelo contrário, seres humanos que vivem a dezenas de milhares de anos nos ambientes mais escassos do planeta, como é o caso dos iKung Bushmen do deserto do Kalahari, ou dos esquimós no Alaska, permanecem vivendo de forma colaborativa e abundante, assim como viviam nossos ancestrais caçadores coletores. O interessante é que quando precisamos, de fato, enfrentar uma escassez de recursos em nossa realidade presente, aí então predomina nossa essência colaborativa. Nossa empatia vem á tona e os seres humanos passam a colaborar uns com os outros como nunca. É o que acontece quando catástrofes naturais abatem sobre as pessoas. São momentos onde a escassez torna-se real, e justamente momentos onde esquecemos as diferenças e competições para voltarmos a ser o que somos, ou seja, humanos.   

Não é a escassez em si que produz a competitividade e a violência, mas é a crença em uma provável escassez futura. O julgamento de que, caso a escassez aconteça, a vida será pior e haverá sofrimento. A partir desse julgamento, as outras pessoas, que pensamos estarem competindo conosco por esses recursos escassos, irão constituir uma ameaça à nosso status-quo. Passamos a alimentar o medo da perda, e o medo de que alguém nos tire algo ou nos tire do controle, o que nos gera a necessidade de competir, de defender e de atacar. Atos violentos são gerados como consequências desses medos, crenças ilusórias e desigualdades oriundas de acúmulos desnecessários que produzem excessos para alguns e miséria para outros. .

E qual a importância de entendermos esta natureza da violência humana ao falarmos de discriminação? Primeiramente porque discriminação hoje em dia facilmente materializa-se em um algum tipo de ato violento que recebe rótulos como racismo, homofobia, xenofobia, bullyng, gordofobia, machismo, misogenia, misandria e muitos outros. Atos violentos que, assim como todos os outros tipos de violência, está norteada pelo medo que criamos ao imaginar  pessoas que consideramos diferentes de nós, ameaçando nosso status-quo, ameaçando as crenças que respondem por nossa sensação de segurança ilusória.

E segundo porque, mesmo quando não materializa-se sob a forma de um ato violento, a discriminação é uma crença social que, continuamente prepara, nutre e incuba o ambiente para que, em algum momento, estes atos violentos possam eclodir.

Ambos estes vínculos entre violência e discriminação são relevantes, porém, enquanto o primeiro vínculo (discriminação como ato violento) é um efeito ou consequência, o segundo vínculo (discriminação como crença social) é uma causa. E nós, seres humanos, temos uma tendência muito grande a perceber e reagir somente ao primeiro vínculo, ou seja, ao efeito (que geralmente nos gera revolta, indignação, emoções destrutivas como raiva e ódio, além de desejo de vingança) e a esquecer ou ignorar o segundo vínculo, a causa (o que faz com que, apesar de estarmos indignados, revoltados e sedentos por combater esses atos violentos e punir as pessoas que o comentem, sem perceber, continuamos nutrindo e incubando o ambiente de discriminação que provoca estes mesmos atos).

Pelo fato de esquecermos ou ignorarmos a discriminação como esta crença social contínua, atos violentos continuam repetindo-se, apesar de todas as revoltas, manifestações, indignações, campanhas, leis e mesmo punições que são geradas para combatê-los sempre que um desses atos chama a atenção da mídia e do público. E isso parece não amenizar ao longo do tempo, parece permanecer igual. Em 1992 aconteceu um ato violento desses nos Estados Unidos, que gerou manifestações no mundo inteiro, além de revoltas violentas contra o racismo que iniciaram na cidade de Los Angeles e disseminaram-se por diversas cidades daquele país. De 1996 a 2004 eu morei naquele país, e diversas vezes, apareceram situações semelhantes àquela na mídia, apesar de haverem leis de proteção a minorias desde a década de 60 fomentadas por Martin Luther King Jr e os direitos civis. E agora, passados quase 30 anos, em 2020 no mesmo país, volta a chamar a atenção da mídia e a gerar revoltas e manifestações, um acontecimento que é a exata repetição daquilo que aconteceu em 1992. Ou seja, analisando somente um período que eu pude acompanhar, em um local em que tive a oportunidade de viver, encontramos um exemplo claro de que revoltas violentas, manifestações, punições e leis não mudaram muito o problema da discriminação na cabeça dos cidadãos americanos. E não mudou mesmo, porque todas estas reações ocorreram sobre o efeito, que são os atos violentos que eclodem e as pessoas que os cometem, mas não atuaram sobre a causa, que é crença discriminatória que existe muito fortemente na sociedade americana.      

Discriminação como crença social

Minha intenção com este artigo é trazer um pouco mais para nossa consciência este segundo vínculo entre discriminação e violência, esta crença social discriminatória que enquanto estiver sendo alimentada pela maioria das pessoas, continuará sendo o combustível de atos violentos que continuarão eclodindo tanto ao redor do mundo como ao nosso redor.

Vamos então falar desta crença social: a crença na “diferença”. No início desse texto eu trouxe a etimologia da palavra discriminação, que significa distinguir, separar, determinar uma diferença. O erro que continuamos cometendo como sociedade é continuar distinguindo, separando, determinando diferenças e classificando grupos de seres humanos. Enquanto estivermos fazendo isso, estamos nutrindo a discriminação.

Um ponto importantíssimo que merece destaque é o seguinte: Sim, somos diferentes um do outro. Mas somos diferentes como INDIVÍDUOS. Cada ser humano possui milhares, milhões ou até mesmo infinitas características que o definem, e o distinguem de outro ser humano. O conjunto dessas características compõe um ser humano. Portanto, as diferenças existem sim, e devem ser respeitadas no âmbito individual, porque cada um de nós é um ser humano único, que possui formato, preferências, paixões, talentos, habilidades, desejos íntimos, gostos musicais, quantidade de cabelos, grossura dos dedos, sensibilidade, metabolismo, enfim…. milhares, senão milhões de características físicas, emocionais e psicológicas que nos diferem uns dos outros. Portanto, eu não sou igual a meu filho, da mesma forma que não sou igual a meu irmão, da mesma que não sou igual a ninguém .. Ou seja, cada um de nós é único, e por isso temos a necessidade de entender e respeitar uns aos outros, e de não exigirmos que ninguém seja como somos.

Mas somente até o nível das individualidades vão nossas diferenças entre seres humanos. Na realidade o fato de todos possuirmos uma individualidade acaba nos tornando iguais, ou seja, apesar de minha individualidade ser diferente da sua, ambos possuímos em comum o fato de sermos seres humanos que possuem a própria individualidade. Não somos diferentes, somos iguais porém únicos.  

Todo e qualquer ser humano é um ser único e isso é algo comum entre todos nós. Ao entendermos e aceitarmos isso, mesmo apesar das diferenças que nos tornam únicos, não há discriminação porque nos aceitamos como iguais.

A discriminação começa a partir do momento em que saímos do âmbito individual e começamos a separar ou classificar grupos de pessoas baseados uma ou algumas, entre todas aquelas milhões de características que diferem os seres humanos. Baseado na escolha destas poucas características, nós aplicamos um tipo de julgamento chamado generalização. Generalizar significa sentenciar que: “todas as pessoas que possuem estas características são iguais entre si, e todas que não possuem são diferentes”.

O julgamento generalizado é um erro absurdo que a humanidade comete todos os dias. Porque trata-se de uma grande mentira. Baseado nesse julgamento generalizado que escolhe algumas características como gênero, ou cor de pele, ou tipo de cabelos e olhos, ou preferência sexual, ou situação econômica, ou aparência, ou idioma falado, ou local de nascimento, ou data de nascimento, ou religião, ou partido político, nós sentenciamos que brancos são diferentes de negros, que brasileiros são diferentes de argentinos, que homens são diferentes de mulheres, que ricos são diferentes de pobres, que crianças são diferentes de adultos, que loiras são diferentes de morenas, que flamenguistas são diferentes de vascaínos, que direitistas são diferentes de esquerdistas, que sagitarianos são diferentes de escorpianos, que católicos são diferentes de muçumanos, e por aí vai…. Nós classificamos pessoas, dizemos que pertencem a um grupo diferente do nosso, e começamos a generalizar julgamentos sobre este grupo… Aí reside o grande erro. Porque diferente é a característica, mas não a pessoa. Qualquer pessoa é uma pessoa como qualquer outra, e dentro das milhões de características que a distinguem como pessoa, estas poucas que citamos são apenas algumas. Ao colocarmos uma lupa apenas nestas poucas características que selecionamos, e ignorarmos todas as outras milhares características que compõe a individualidade deste ser humano, nós estamos criando uma discriminação.  

Se ao invés de cor de pele, preferência sexual e local de nascimento, nós escolhêssemos distinguir e classificar as pessoas baseado em outras características como por exemplo identificação com filosofia estoicista, conexão com natureza e prática de artes marciais, é provável que eu tenha muito mais semelhanças com a uma mulher de pele negra nascida no Haiti, com preferência homo-afetiva que fala o idioma crioulo, do que semelhanças com meu próprio irmão. Isso significa que podemos escolher qualquer característica que quisermos para classificar as pessoas, e baseado na classificação que escolhermos, nós iremos pertencer a grupos totalmente diferentes, sem deixarmos de ser a mesma pessoa que somos.

Estou citando esse exemplo para mostrar que não existe o menor sentido em agrupar pessoas por qualquer característica específica seja ela cor da pele, local de nascimento ou gênero e afirmar que elas são pessoas iguais ou diferentes, porque ao fazer isso estamos ignorando milhares de outras características que compõe cada ser humano e os tornam únicos.

Além disso, é certo que estamos agrupando pessoas que, à parte da característica escolhida, não possuem afinidade ou semelhança nenhuma com outra pessoa do mesmo grupo. Ou seja, de fato estamos cometendo uma injustiça ao emitir esse julgamento generalizado onde dizemos que pessoas pertencentes a determinados grupos são iguais entre si, pois na realidade elas não são.

Culturas e crenças discriminantes

Existe um argumento que tenta justificar essas classificações baseado na cultura e nas crenças que as pessoas trazem de seus locais de nascimento e de seus antepassados. Mas este argumento também é discriminante. Eu já morei em outros países, já vivi imerso em diferentes culturas e fiz muitas amizades em todas elas. E o que percebi foi que, em todos os países existem pessoas que dão importância ou atenção para aspectos culturais de seu local ou de seus antepassados, e existem pessoas que não se importam a mínima com isso. Se eu disser que americanos são nacionalistas, estou errado porque tem muitos americanos que não são. Se eu disser que argentinos são arrogantes, também estou errado porque tem muitos argentinos que são humildes e legais. Ou seja, julgamentos culturais são muito problemáticos.  

Mas vamos nos aprofundar mais em crenças e culturas. Pensando bem, até o nosso sobrenome é uma total discriminação cultural. Se prezássemos realmente por justiça e igualdade, para início de conversa não teríamos sobrenome. Vejam bem isso: Se meu sobrenome é Carvalho, a tendência é todos pensarem que o Renan é um membro da família Carvalho, família que a 500 anos atrás tinha um castelo em Portugal e blá, blá, blá… Mas esperem lá !!… Se, a partir da minha pessoa eu voltar uma geração, terei meu pai e minha mãe, que por coincidência, no meu caso, ambos eram Carvalho (apesar de serem de cidades diferentes e não se conhecerem). Ok, mas se volto duas gerações terei 4 avós e metade deles já não era Carvalho. Ao voltar três gerações são 8 bisavós e quatro gerações são 16 tataravós. Desses 16 antepassados que foram igualmente importantes para minha vida, eu discriminei e ignorei 15, os quais eu nem sei que sobrenome tinham, para dar importância somente para os Carvalhos. Se volto 500 anos, estamos falando de umas 20 gerações (considerando uma média de 25 anos por geração). Voltando 20 gerações sabem quantos tataratataravós eu tive, que foram igualmente importantes que para eu nascesse? 1.048.576… Isso mesmo, mais de um milhão. E eu volto 500 anos e só considero os Carvalhos que moravam naquele castelinho de Portugal, rsrs (vejam só que discriminação absurda)… É interessante essa matemática porque ao voltarmos 30 gerações nós chegamos a 1 bilhão de pessoas (500 milhões de avôs e 500 milhões de avós que foram imprescindíveis para que cada um de nós pudesse nascer), número esse que já supera a população do mundo de 750 anos atrás. Ou seja, basta voltarmos 30 gerações para descobrirmos que todos nós somos da mesma família. Para descobrirmos que cultura e crenças não nos fazem diferentes, que todos somos iguais. Diferenças culturais e crenças são discriminações que fizemos ao convenientemente selecionar somente a algumas poucas gerações e a algum sobrenome, entre todos aqueles milhares de sobrenomes que formam nossa rede de antepassados. E se alguém duvida do que estou falando, basta fazer um exame de DNA e verá o quanto você é muito mais parte da humanidade do que parte de sua própria crença, cultura ou país. Assista no youtube ao vídeo DNA Journey  – Ou a Jornada do DNA ( https://www.youtube.com/watch?v=aCyhIhVfUYQ) e ficará surpreso ao ver o quanto todos nós somos da mesma família. Crenças e culturas são meras escolhas que alguns antepassados nossos fizeram e passaram adiante para seus filhos. Assim como uma pai que torce para o Corinthians influencia o filho a torcer pelo mesmo time. Esta escolha não diferencia os seres humanos. Até porque os filhos também podem escolher se querem ou não levar estas crenças e culturas adiante. Portanto discriminar (ou diferenciar) pessoas baseado nisso é mais um grande erro que nossa sociedade comete.

E o problema maior que vejo em nossa sociedade é que ela não só aceita como reconhece e estimula esta discriminação. Reconhece, estimula e alimenta a crença na segregação ao afirmar que brasileiros são diferentes de argentinos, negros são diferentes de brancos, mulheres são diferentes de homens, LGBTs são diferentes de héteros, nordestinos são diferentes de paulistas, católicos são diferentes de espíritas, pobres são diferentes de ricos, e por aí vai… Quanto mais reforçamos a existência dessas diferenças em uma sociedade que estimula continuamente a competição por notas, por vagas de emprego, por promoções, por clientes, por fama, por prestígio, por reconhecimento, por poder, mais estamos alimentando um combustível que pode, a qualquer momento, provocar nas pessoas emoções destrutivas como medo, ansiedade e carências, e gerar atos violentos de alguns seres humanos para com outros que consideram “diferentes”. E o que é pior, na cabeça das pessoas, tais atos violentos são justificados tanto pela necessidade de garantir-se contra a escassez como pela crença nessas diferenças.

Igualdade e empatia

A própria natureza da empatia nos ajuda a entender esse fenômeno. O nível de empatia que sentimos por seres é proporcional ao quanto consideramos estes seres semelhantes a nós. Por exemplo, desenvolvemos uma grande empatia por cães, que alguns exageradamente consideram até mais humanos do que os próprios humanos, e por outro lado não desenvolvemos praticamente nenhuma empatia por ratos, os quais, sem nenhum tipo de sentimento, matamos ou mandamos matar com venenos e ratoeiras… Evolutivamente os ratos são parentes mais próximos dos seres humanos do que os cães, que são mais longíquos. Porém, por havermos adotado o cão e por acreditarmos que é mais semelhante a nós, somos muito mais empáticos com eles. E nós agimos da mesma forma em relação a seres humanos. Somos naturalmente mais empáticos com aquelas pessoas que consideramos pertencentes ao nosso “grupo”, que consideramos “mais próximas” ou “iguais a nós”, sejam elas brancas, negras, mulheres, homens, LGBTs ou héteros. E somos menos empáticos com seres humanos que julgamos pertencer a um outro “grupo”, o qual consideramos “diferentes de nós”, ou “mais distantes”. Esses julgamentos afetam tanto a nossa empatia que chegamos inclusive a produzir justificativas para atos hostis contra aqueles seres humano que julgamos “diferentes”. Ou a condenar de forma mais veemente aqueles seres humanos “diferentes” que tenham cometido um erro. Isso ocorre todos os dias, porque assim funciona a resposta de nosso cérebro ao nossos próprios julgamentos.

Considerando tudo isso, me parece muito simplória a ideia implantada por governos, difundida pela mídia e aceita pela nossa sociedade, de que podemos combater atos violentos de discriminação promovendo um reconhecimento cada vez maior das diferenças entre os diversos grupos através de homenagens ou compensações por erros passados. Isso tudo, além de reforçar e evidenciar diferenças entre esses grupos de seres humanos, trás à tona emoções negativas como tristezas, mágoas e raivas relativas à atos violentos passados praticados por umas pessoas contra outras. Isso tudo continua afetando significativamente o nível empatia dessas pessoas, e promovendo assim, de maneira vedada e incubada, julgamentos e prevenções entre esses grupos de pessoas que se consideram “diferentes”. Tudo isso continua, assim como acontece a mais de 50 anos nos Estados Unidos, e a mais de 2000 anos no Oriente Médio, em algum momento, culminando em atos violentos entre esses grupos.

Se quisermos como sociedade, acabar com a violência, precisamos fomentar a empatia, e para fomentar a empatia precisamos eliminar esta crença de que somos diferentes. Precisamos fazer com que as pessoas se percebam como iguais, e não como diferentes. Precisamos eliminar de vez a crença na discriminação. Se uma pessoa faz alguma coisa que consideramos errado, não é porque ela é “isso” ou ela é “assim”, mas porque ela é um ser humano exatamente igual a nós, que viveu experiências diferentes da nossa em sua vida. Só isso. E somos tão iguais a ela que se tivéssemos vivido a vida dela ao invés de termos vivido a nossa, ou seja, se tivéssemos passado por todas as experiências e aprendizados que ela passou em sua vida ao invés de tudo aquilo que nós passamos em nossa vida, é muito provável que agiríamos exatamente da maneira como esta pessoa agiu. Teríamos cometido exatamente o mesmo erro que ela cometeu. Ou seja, nós somos um ser humano igual a ela. Pensando assim conseguiremos sentir empatia por aquela pessoa pois estaremos, de fato, nos colocando no lugar dela. Estaremos de fato, sentindo que somos iguais a ela. E se conseguimos mostrar que somos iguais a ela, seguramente ela também irá sentir-se igual a nós.   

É necessário como sociedade promovermos esta igualdade. É necessário como sociedade aprendermos que todas as diferenças e discriminações do passado, todas as diferenças e discriminações que nossos antepassados e  nossos conterrâneos alimentaram ou sofreram em suas vidas precisam ser absorvidas, entendidas e enterradas. Se nossos antepassados e conterrâneos cometeram o erro de alimentar essas diferenças e discriminações ou sofreram as consequências dela, nós não precisamos continuar cometendo esse mesmo erro e nem continuar levando essas diferenças e discriminações adiante. Precisamos sim, daqui pra frente, começarmos a promover a consciência de que só conseguiremos construir uma sociedade humana, justa, pacífica, harmoniosa, colaborativa, se eliminarmos da nossa mente esta crença de que alguns seres humanos são diferentes de outros. Porque de fato não somos, somos uma mesma família, um mesmo sangue, uma mesma espécie, uma mesma vibração. Não existem seres humanos melhores ou piores, bons ou ruins, existem seres humanos que vivem, erram, interagem e aprendem exatamente como nós.