Um dos princípios que adotamos na Filosofia Orgânica é o conceito positivista do “Não sabemos a verdade”

Isso significa carregar uma visão flexível da vida. Livre de dogmas, livre de certezas. Uma visão flexível onde tudo passa a ser uma possibilidade. E se tudo é uma possibilidade, é melhor estarmos abertos a tudo.

Se estamos abertos a tudo, não há motivos para entrarmos em conflito com ninguém. Pelo contrário, ficamos mais curiosos, mais investigativos, mais compreensivos e compassivos com os outros.

Por isso para nós, opiniões não valem muita coisa, inclusive a nossa. Se alguém concorda ou discorda do que falamos, isso também não nos faz diferença nenhuma. Nós não buscamos a aprovação de ninguém.  E também não vamos rebater ninguém que venha a nos contrapor.

Se falamos o que falamos, é porque nossa experiência prática nos mostrou isso, experiência prática que gerou um aprendizado, e então buscamos algum respaldo para esse aprendizado na ciência. Mas isso não significa que a mesma experiência e o mesmo aprendizado sejam válidos para outra pessoa. Podem ser válidos para alguns, que possuem experiencias e aprendizados semelhantes, e inválido para outros que não possuem.

E aí entra a magia do “pode ser”. “Pode ser” nos deixa tranqüilos, emocionalmente equilibrados, porque não valida e nem invalida o que outra pessoa diz ou pensa. Mas deixa aberta a possibilidade de existir verdade no ela trás.

Qualquer coisa que qualquer pessoa acredite pode ser válido pra ela. Pode trazer uma utilidade consciente ou não para ela. E se trouxer, é uma verdade para ela. Então não faz o menor sentido para nós entrar em discussões, argumentações ou confronto de opiniões. Porque pessoas vem de experiências e aprendizados diferentes, e entendemos que todos podem ser válidos.

O mais importante para nós, é convergir, desde que, é claro, a outra pessoa também esteja disposta a isso. E convergência é um exercício um pouco mais difícil porque pressupõe um aprofundamento na temática. Quanto mais nos aprofundarmos, maior a chance de encontrarmos o ponto comum entre o que pensamos e o que o outro pensa. E veja bem, ponto comum é aquele onde ambos conseguem compreender bem o lado do outro. Compreender quais experiências o levaram àquele aprendizado. E tal compreensão, além de unir as pessoas, gera mais aprendizado para ambos. Isso para nós vale a pena.

Convergência é difícil porque hoje em dia ninguém tem tempo para aprofundar-se. E o próprio sistema prefere que as pessoas sejam superficiais. Prefere que as pessoas gerem opiniões não por experiências vividas, mas sim por ouvirem alguém falar ou por verem em uma tela. Motiva as pessoas a gerarem julgamentos e não compreensão. Tal superficialidade impossibilita convergência e estimula o confronto e suas emoções, que são os principais combustíveis do sistema competitivo.  Assim, todos são estimulados, a todo momento, a assumir posições, ter opiniões e decidir por um lado, mesmo sem ter vivido nenhuma experiência que justifique aquilo. Sem nunca ter passado por aquela realidade. E o pior é que são estimulados a imprimir  sua própria identidade nessa opinião, chegando até mesmo a lutar e morrer por ela.

Nossa sociedade  não vive o mundo da convergência e da colaboração, vive o mundo do confronto e da competição. Onde ninguém está disposto a aprofundar-se ou a compreender o outro lado porque já se consideram certos, donos da verdade. Um mundo onde precisam haver vitoriosos e derrotados. Bem e mal. Onde o bem está com a verdade, e deve vencer,  e o mal está errado, e deve perder. Como se todos não fossem pessoas, e como se todos não cometessem erros e tivessem que aprender algo.

Esse mundo não nos interessa nem um pouco porque nele não há convergência e nem compreensão. Não fazemos a menor questão de participar dele. Na verdade nós nem conseguimos participar dele, porque ao imprimir nossa mentalidade de convergência, naturalmente tenderemos a nos aprofundar na realidade de ambas as partes buscando o ponto comum e a compreensão. E é preciso muito tempo e disposição de ambas as partes para chegar nessa convergência, o que não é possível porque as partes não estão dispostas e nem interessadas nisso, elas querem derrotar umas as outras. Querem provar seus pontos. Querem que prevaleça suas verdades. Portanto esse é um mundo sem sentido para nós.

Diante dessa impossibilidade de aprofundar e convergir, não há muito que podemos fazer a não ser deixar que as pessoas vivam esse seu mundo de divergências e superficialidades. E não nos metermos com ele. Preferimos dedicar nosso tempo e esforço para a construção de um mundo de convergências, e de cada vez mais compreensão entre as pessoas. De leveza e paz por não precisarmos divergir e nem entrar em confronto com ninguém. 

Assim procuramos viver, e assim te convidamos a não saber conosco !!