As Premissas do Sistema Comando e Controle

O2 Online

O2 – Organizações Orgânicas
Um Guia para Revolucionar a Gestão e Liderar as Equipes do Século XXI
Adquirir O2 - Organizações Orgânicas
Índice …………………………….<- A Administração e Sua Influência …………………As Premissas do Sistema Comando e Controle …………………O Paradigma Atual ->

.

As Premissas do Sistema Comando e Controle

1 – Propósito: Premissa de que empresas existem para atender os objetivos financeiros de seus donos (ou maximizar retorno para os acionistas).

Esta premissa se originou na própria estrutura da sociedade industrial do final do século XIX e início do século XX. Nesta sociedade, com o crescimento das indústrias, houve uma migração de poder, que antes estava concentrado somente nas mãos dos donos de terras. Este Poder foi, aos poucos, se transferindo também para os Donos dos Meios de Produção, ou seja, para os industriais (ou capitalistas). E durante todo o século XX, o capitalista foi considerado o grande detentor do poder na sociedade. Ele ditou as regras sobre quais sistemas seriam mais adequados para que as empresas sustentassem e aumentassem cada vez mais sua própria riqueza e poder. Hoje, esta premissa ainda constitui a base do pensamento, por exemplo, de Wall Street e da esmagadora maioria dos investidores capitalistas.

2 – Estrutura: Premissa de que empresas devem ter uma hierarquia vertical (representada graficamente por um organograma) onde a pessoa mais importante é o dono (ou acionista).

Se o propósito da empresa é aumentar a riqueza dos donos, que são os detentores do poder cujos desejos devem ser atendidos, então nada mais apropriado que organizar a empresa dentro de uma estrutura militar, ou seja, institucionalizar uma hierarquia piramidal onde todos na organização se submetem ao poder do dono. Na pirâmide, quem está em cima tem mais poder (consequentemente, mais importância) e quem está em baixo, menos poder (consequentemente, menos importância) dentro da empresa. Quem está em cima decide os rumos e objetivos financeiros, quem está em baixo executa.

3 – Funcionamento: Premissa de que empresas funcionam como máquinas (onde as atividades devem ser superespecializadas, tudo pode ser medido com números, e a causa e efeito são lineares).

Se o propósito é aumentar a riqueza do acionista e a estrutura deve ser hierárquica, qual a melhor maneira de a empresa funcionar? Bem, para aumentar a riqueza do acionista, a empresa precisava produzir mais e de maneira cada vez mais eficiente. No início do século XX, Taylor ensinou que a maneira mais apropriada para alcançar estes objetivos era através das linhas de produção. Nelas, as pessoas deveriam ser superespecializadas no que faziam (por exemplo, alguém podia somente “apertar parafuso” o dia inteiro), a produtividade das pessoas podia ser facilmente mensurada, os erros poderiam ser facilmente identificados e seus autores rapidamente reprimidos ou substituídos. Uma linha de produção funcionava exatamente como uma máquina (inclusive, já no final do século XX, as pessoas foram efetivamente substituídas por máquinas). Mais adiante, Fayol mostrou que esta especialização era importante também para o restante da estrutura hierárquica da empresa, ou seja, que era necessário separar Vendas de Produção, de Marketing, de RH, de Financeiro, de Administrativo, e assim por diante, pois assim também se estaria especializando essas áreas e aumentando a eficiência de funcionamento da empresa como um todo. Seria possível mensurar as diferentes áreas e, se uma delas tivesse um problema, bastaria mexer nela, sem precisar tocar nas outras. Sloan consolidou esta premissa quando determinou que a empresa pudesse ser avaliada somente através de números (ou de indicadores de desempenho).

4 – Pessoas: Premissa de que as pessoas são “recursos humanos” que devem ser encaixados nas funções, nos cargos ou nos processos que constituem a máquina.

Quando Taylor separou a gestão da execução, ele oficializou que um determinado grupo de indivíduos da empresa deveria agir como executor de rotinas, de tarefas, de demandas, de ordens, enquanto outro grupo deveria entender ou pensar o plano que levaria a empresa a seu propósito (de aumentar a riqueza do acionista). Com a hierarquia do organograma, praticamente todas as pessoas da empresa que se encontravam abaixo do primeiro ou segundo nível tornaram-se executores (daí veio o nome “executivo”). E aquelas pessoas que efetivamente fazem as coisas acontecerem, ou seja, que estão no mais baixo nível hierárquico (e nem mesmo aparecem no organograma), passaram a ser tratados como “mão de obra”. Todas estas referências às pessoas que executam os planos da empresa, de fato as colocam na condição de recursos ou peças que precisam se encaixar nas funções, cargos ou processos que foram desenhados segundo o plano de funcionamento da máquina. Estas funções, rotinas ou processos são mais importantes do que as próprias pessoas que as operam. E, caso alguma pessoa não se encaixe bem na máquina, deve ser substituída. Por isso, no Comando e Controle, pessoas são chamadas de “recursos humanos”, de “mão de obra”, de “funcionários”, “empregados”, ou seja, de termos que refletem a condição de recursos que precisam se encaixar na máquina.

5 – Motivação: Premissa de que os “recursos humanos” produzem mais quando submetidos a incentivos financeiros ou ameaças de perdas do mesmo.

Esta premissa nasceu praticamente junto com a premissa de que pessoas são peças. Na verdade, como já foi comprovado por cientistas de economia comportamental, as pessoas somente se motivam por incentivos financeiros quando realizam atividades eminentemente mecânicas (onde não é necessária nem mesmo uma mínima capacidade de pensar), quando estão totalmente desprovidas de autonomia e sem qualquer propósito pessoal que justifique a realização de sua atividade. Isso significa que, em situações onde a pessoa literalmente é uma peça dentro da máquina, o incentivo financeiro faz sentido. Quando Taylor desenhou sua linha de produção ideal, ele inteligentemente observou isso, e determinou que o aumento da produtividade devesse ser incentivado externamente por “cenouras” (prêmios) ou por “chicotes” (punições). O problema é que esta premissa foi tão fortemente absorvida pelo mundo da Administração, que se tornou prática comum até hoje, independente do tipo de trabalho ou do nível hierárquico das pessoas. Na verdade, as “cenouras” tornaram-se ferramentas imprescindíveis para os acionistas porque o propósito de torná-lo mais rico, estando submetido ao seu poder hierárquico e trabalhando como peça de uma máquina, definitivamente, não motiva ninguém.

6 – Crescimento: Premissa de que o crescimento pode ser planejado, ou seja, o tamanho da máquina pode ser definido, calculado e desenhado de acordo com o desejo dos acionistas e disponibilidade de recursos. Esta premissa também está alinhada às premissas do Propósito e do Funcionamento. Em função do desejo do acionista de ficar maior e mais rico no futuro, e da quantidade de recursos que ele tem disponível para investimento, é possível fazer um plano, ou seja, calcular e desenhar o tamanho da máquina que irá lhe atender. Todos os recursos como espaço, equipamentos, tecnologia e “recursos humanos” são então mobilizados para atender este plano. Assim funciona o mundo mecânico da engenharia, afinal uma máquina pode ser do tamanho que se desejar, basta planejar, obter os recursos e construir. O limite e a velocidade do crescimento são ditados pelo desejo do acionista e pela quantidade de recursos disponível para apoiar este crescimento. Sloan foi o grande mentor desta premissa. Ele estabelecia um plano para alcançar um crescimento desejado (retornos de investimento) pelos acionistas no ano seguinte baseado em uma previsão oriunda de tendências do passado. Assim, alocava os recursos para que seus gestores executassem este plano.

7 – Liderança: No Comando e Controle, liderar significa gerir, e a gestão é exercida pela figura do Gerente ou Gestor. Este é escolhido por um superior hierárquico para garantir que a máquina funcione como planejado e gere os resultados esperados.

Esta última premissa, na verdade, amarra todas as outras, o Gerente ou Gestor possui como atribuições principais: garantir que o acionista tenha o retorno desejado, que a máquina funcione como planejado, que os “recursos humanos” tenham desempenho esperado e que todos os imprevistos ou problemas que possam afetar o plano de crescimento sejam resolvidos ou eliminados. Este é o papel da gestão. O gestor ou gerente é a própria personificação do Sistema Operacional Comando e Controle (principalmente do controle, já que gestores também seguem comandos). Resumindo, o bom funcionamento da máquina (ou dos processos) depende da supervisão de um gestor, cujo papel é garantir que as peças estejam funcionando conforme estabelecido no plano.

Estas são as sete premissas do Sistema Operacional Comando e Controle e foram delineadas a cerca de um século por Taylor, Fayol e Sloam. Sobre estas premissas, foram desenvolvidas inúmeras ferramentas (ou Softwares) que vieram e ainda vêm sendo implantadas nas empresas ao longo deste século. Podemos citar como exemplo destes Softwares:

– Organogramas

– Planejamento e Gestão Orçamentária

– Cargos e Salários

– Planejamento Estratégico

– Metas Fixas

– Alocações Anuais de Recursos

– Contratos de Desempenho ou de Resultados

– Bônus e Incentivos

– Avaliações de Desempenho

– Gestão de Indicadores

– Gestão de Pessoas

– Gestão de Processos

Todas estas ferramentas foram construídas de acordo com as premissas do Sistema Comando e Controle. E até mesmo outras ferramentas, que conceitualmente foram pensadas sob premissas diferentes (ou mesmo contrárias), como Qualidade Total e Coaching, foram ajustadas e redesenhadas de maneira que pudessem se tornar soluções dentro do Comando e Controle. Ainda hoje, continuamos vendo, uma após outra, novas ferramentas, ou “Softwares”, sendo lançadas para operar dentro das premissas deste velho Sistema Operacional.

05_sistema-comando-e-controle_color

Concluindo nossa analogia sobre Administração e Informática: como vimos, em 30 anos de Informática, tivemos várias revoluções tecnológicas, nas quais, foram mudados totalmente os sistemas operacionais e os softwares. Já em 100 anos de Administração, o Sistema Operacional e a maioria dos Softwares permaneceram exatamente os mesmos. Quando observamos tudo o que é ensinado nos MBAs (seja ele de Harvard ou da “Faculdade da Esquina”), percebemos que o Sistema Operacional criado por Taylor, Fayol e Sloan está mais vivo do que nunca, e continua sendo estimulado por Wall Street, divulgado pelas revistas de negócios e implantado pelos consultores em empresas de todos os tamanhos. Ou seja, vivemos uma triste realidade, onde, enquanto a Informática já nos trouxe os tablets, a Administração ainda nos força a usar a empoeirada e barulhenta máquina de escrever.


Índice …………………………….<- A Administração e Sua Influência …………………As Premissas do Sistema Comando e Controle …………………O Paradigma Atual ->

.

Adquirir Livro Impresso

Adquirir Livro Impresso

Please Login to Comment.

Movimento Orgânico – Ajudamos, inspiramos e influenciamos pessoas para que LIBERTEM-SE DE CRENÇAS, tanto pessoais como sociais, que as impedem de viver,  aqui e agora, a vida que nasceram para viver.