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  • Felicidade consciente

Nós não estamos felizes porque nós achamos que estamos ou porque nós dizemos que estamos, nós estamos felizes porque nós sentimos que estamos, mas principalmente, porque nós sabemos que estamos. Felicidade precisa ser algo consciente em nossa vida. É preciso existir uma consciência, porque senão qualquer sentimento gostoso que temos, nós pensamos que é felicidade.

Uma pessoa sob o efeito de cocaína por exemplo, pode dizer e achar que naquele momento está feliz.. Mas todos sabemos que aquela sensação não é felicidade… É uma sensação de prazer intenso que alivia ou acoberta, momentaneamente, emoções destrutivas como angústias, mágoas e culpas que permeiam a vida da pessoa. O mesmo pode valer para um chocolate, para uma compra, para uma festa ou para uma viagem. Ou seja, naquele momento a pessoa pode achar e dizer que está feliz porque está comendo um chocolate, está comprando um carro, está numa festa ou está fazendo uma viagem… Mas será que isso é felicidade mesmo ou é um prazer momentâneo? Será que a pessoa, nesses momentos, não está somente distraindo, aliviando ou acobertando, de forma paliativa, emoções como ansiedades, medos e frustrações que dominam sua vida, e que mesmo após esses momentos, continuarão dominando, a maior parte de seus dias.

Hoje em dia, parece que, cada vez mais, as pessoas não percebem a diferença entre a felicidade real, e estes prazeres momentâneos que distraem, aliviam, ou acobertam, suas carências emocionais, que são permanentes.  E não conseguem perceber isso, porque a economia, a mídia, o marketing e a sociedade de modo geral continua alimentando essas emoções de medo, ansiedade, inveja e culpa para que as pessoas continuem firmes com o hábito e a ilusão de consumir uma felicidade futura. E assim as pessoas, cada vez mais, parecem viver esse paradoxo: enquanto se acham e se dizem felizes, ao mesmo tempo, estão convivendo, no dia a dia, essas ansiedades, medos, angústias e culpas.  Isso que não faz muito sentido não é mesmo ?

Bom, para nos tornarmos, conscientemente, pessoas mais felizes, é fundamental que a gente entenda as nossas emoções. Partindo desse entendimento, nós desenvolvemos a capacidade de nos perceber, e também de agir no sentido de cultivar emoções opostas a estas emoções destrutivas. De cultivar emoções plenas, emoções que representam o estado de felicidade, como a tranquilidade, a paz, o amor, a compaixão, o entusiasmo, a coragem e a alegria. Se cultivarmos em nossa mente estas emoções plenas, nós nunca seremos tomados por emoções destrutivas, porque não é possível ao mesmo tempo sentirmos amor e raiva, não é possível ao mesmo tempo sentirmos ansiedade e paz, não é possível ao mesmo tempo sentirmos compaixão e culpa. As emoções destrutivas só aparecem porque esquecemos de cultivar as emoções plenas.

E nós podemos lembrar de cultivá-las, nós podemos treinar nossa mente viver com mais felicidade. Esse treinamento mental pra ser feliz não é novidade não, a filosofia do estoicismo que começou na Grécia a mais de 2200 anos, e a filosofia do Budismo que começou na Índia a mais de 2400 anos possuem este ensinamento comum. Ambas definem o treinamento mental como o caminho para alcançarmos uma vida plenamente feliz. E é possível sim, aplicar esses ensinamentos do estoicismo e do budismo de forma bastante prática em nossa vida. Muitas de minhas experiências de vida são exemplos disso.

Uma prática simples que podemos incorporar em nossa vida é:  Começar a questionar, todos os dias, os nossos julgamentos ! Mas porque questionar os julgamentos ? Simplesmente porque nossos julgamentos são geradores, são produtores de emoções destrutivas.

Julgamento é uma prática mental onde nós atribuímos um valor para pessoas e fatos. Nós decidimos que pessoas e fatos são bons ou ruins, são positivos ou negativos, são melhores ou piores…  Esse exercício de atribuir valor ocorre só na nossa mente, porque na realidade, pessoas e fatos não possuem um valor absoluto, não são como garrafas de cerveja que carregam rótulos… pessoas e fatos são pessoas e fatos, eles são o que são… Tanto que para a mesma pessoa ou fato pode ser atribuído um valor bom ou ruim dependendo da pessoa que atribui, ou dependendo do momento em que a mesma pessoa atribui … Ou seja, esse valor não existe de fato, ele é atribuído por alguém… Portanto pessoas e fatos não são bons e nem ruins…. Pessoas e fatos são pessoas e fatos… Bom e ruim são meros julgamentos.

Se prestarem bem atenção, todas as pessoas e fatos que nos causam emoções destrutivas como medo, ansiedade, raiva, tristeza e culpa… são pessoas e fatos que aprendemos a julgar, ou rotular, como ruins ou negativas…

Qualquer criança em seu estado puro, que ainda não aprendeu a julgar ou rotular as coisas como boas ou ruins, ela não carrega consigo essas emoções… As crianças só começam a sentir emoções destrutivas depois que elas aprendem, com os pais, a julgar o que é bom ou ruim… O julgamento dos pais, que sentem e manifestam emoções destrutivas decorrentes para suas crianças, mostra a elas como atribuir valores de bom ou ruim, como fazer julgamentos.

Para eliminarmos esses julgamentos, faz-se necessário irmos, pouco a pouco, eliminando de nossa mente esses rótulos de bom ou ruim, positivo ou negativo, melhor ou pior, e tudo que for semelhante…

Porque, na realidade, pessoas e fatos aparecem e acontecem na vida de todas as pessoas… E vão continuar aparecendo e acontecendo… Nenhum dos dois está sob nosso controle… Portanto, o único poder que temos diante de pessoas que aparecem e fatos que acontecem em nossa vida, é o poder da escolha… Nós temos 2 escolhas que podemos fazer:

A primeira escolha é: Julgar essas pessoas e fatos como bons ou ruins… 

Se julgarmos como bons, ficaremos empolgados, e se julgarmos como ruins, ficarmos ansiosos, nervosos ou deprimidos… Porém, nenhum dos dois julgamentos contribui para nossa felicidade. Ah, mas nem se eu julgar como bom vai contribuir pra minha felicidade, mas se eu achei fantástico algo que me aconteceu !!!      Pois é, eu digo que não, na verdade o julgamento positivo possui o mesmo efeito do negativo… Não o efeito instantâneo, que de fato é bem diferente, mas o efeito posterior… Quando julgamos algo como bom, ao mesmo tempo nós estamos reconhecendo a existência do ruim… Nós estamos criando uma polaridade… E esse ruim, que nós reconhecemos indiretamente, fica impresso em nossa mente, e poderá tornar-se realidade em outro momento… E caso ele venha a tornar-se realidade, naquele momento quando o “ruim” acontecer, eu certamente sentirei emoções como tristeza ou raiva… Ou seja, a escolha pelo julgamento, qualquer que seja ele, bom ou ruim,  sempre irá alimentar algum tipo de expectativa. E se alimentamos a expectativa, iremos certamente produzir as emoções destrutivas…  Portanto, a escolha pelo julgamento significa a escolha pela manutenção de emoções como ansiedade, medo, raiva e culpa em nossas vidas. 

A outra escolha que temos é questionar nossos julgamentos. Isso significa questionar a nossa percepção de bom e ruim… Questionar a existência do bom e do ruim, do melhor e do pior, do positivo e do negativo… Reforçar dentro de nossa mente, que estes rótulos não existem, que eles foram criados e são alimentados pela nossa imaginação…

Ao questionarmos esse julgamento, iremos perceber que, independentemente do rótulo, tudo pelo que passamos, tudo que aparece e acontece em nossa vida, é uma oportunidade de aprendizado… Que esta é a única realidade… Portanto, naquele momento em que aparece qualquer pessoa, ou acontece qualquer fato, nós podemos optar por, ao invés de julgar, simplesmente aceitar a pessoa ou o fato como aquilo que, de fato, são, ou seja, como uma oportunidade de aprendizado para nós…  Ao fazermos esta escolha, que é a escolha da humildade, nós não despertamos a emoção destrutiva, e abrimos as portas para aprender algo que será muito útil em nossa vida.

E eu tenho uma novidade muito boa, se nós conseguimos aprender a julgar, isso significa que nós também conseguimos aprender a não julgar.. afinal somos seres humanos, e se existe uma dádiva que possuímos desde o dia que nascemos até o dia de nossa morte, essa dádiva chama-se aprendizado… Nós só paramos de aprender depois que o coração pára de bater. Enquanto isso todos nós estamos sempre aprendendo… E aprender a não julgar é só mais um aprendizado em nossa vida. A única diferença é que talvez seja o mais importante de todos.  

Muito bem, vamos então para a parte prática. Como podemos questionar nossos próprios julgamentos?… Questionando… Querem um exemplo de 3 perguntas que podem começar a fazer toda vez que estiver julgando alguma pessoa ou fato como ruim, ou negativa? Aqui vai:

 Será que meu julgamento é real ou é fruto da minha expectativa ou exigência ? Que consequências esse julgamento trás pra mim ? Vale a pena mantê-los na minha mente ?  Podem haver muitas perguntas mais… e a prática consiste em perguntar a si mesmo essas perguntas, até conseguir chegar à conclusão de que os julgamentos não são verdadeiros, que não existem na realidade… Que as consequências são prejudiciais para nós mesmos,  pois causam emoções destrutivas e conflitos em nossa mente e em nossa vida… E que portanto, não vale a pena cultivá-los… Vale a pena sim, eliminá-los…  

Pois ao eliminarmos os julgamento, independentemente do tipo de pessoa ou fato que estejam diante de nós, nós podemos ficar tranquilos, ficar em paz, e assim abrir espaço em nosso coração para a compaixão, para o amor e para a alegria… ou seja, esta segunda escolha nos permite cultivar as emoções plenas em nossa vida.   Cultivar uma felicidade consciente… Que elimina as emoções destrutivas… Porque, como eu disse, emoções plenas e emoções destrutivas não convivem juntas.. Emoções destrutivas só existem porque não estamos cultivando a felicidade… E os julgamentos nos impedem de cultivar a felicidade… Mas, é possível sim e viável, combater esse veneno que é o nosso julgamento, e então eliminar as emoções destrutivas, e assim, pouco a pouco, ir transformando nossa vida em uma vida de felicidade plena.

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