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Às vezes sinto um certo pesar ao ver o mundo cheio de conflitos entre pessoas, de violências verbais e físicas, de manifestações onde uns prejudicam os outros, de disputas intermináveis por poder, por quem está certo e quem está errado. Soma-se a isso as corrupções, guerras, refugiados e, pasmem, até hoje, em pleno 2017, milhões morrendo de fome na África.  Por mais tecnologia e informação que temos, mais desavenças e sofrimentos parecem surgir no mundo, que parece não melhorar. E nosso país parece ser uma grande vitrine desse mundo porque podemos exibir um pouco de cada uma dessas loucuras. A todo momento presenciamos ao nosso redor disputas entre classes econômicas, entre raças e entre sexos. E pior, fica cada vez mais evidente o conflito entre pessoas que, simplesmente, possuem opiniões divergentes. E então aderem à indignação. Ficam indignados com qualquer coisa que vá contra sua opinião, ficam indignados uns com os outros.

Como o pesar é uma emoção que nos leva a agir, diante disso tudo, fico eu aqui pensando o que posso fazer de prático e eficaz para, efetivamente, contribuir para que nosso mundo mude, melhore e saia dessa loucura.  Qual seria a minha parte. Uma coisa tenho certeza, não é participando da divergência. Não é entrando na disputa, e nem na onda de indignação. Porque assim só contribuiria para aumentar a loucura. 

Quando reflito profundamente, somente me vem à cabeça uma coisa. Aliás, sempre a mesma coisa. Uma coisa que Jesus Cristo,  Gandhi, Martin Luther King, Desmond Tuto, Dalai Lama, enfim, todos os líderes de “Verdade”, com “V” maiúsculo, tentaram mostrar para a humanidade com suas palavras e atitudes. Uma coisa chamada “AMOR”.

Amor certamente é a única coisa que pode nos salvar de nossa própria autodestruição. Não dá pra imaginar outra saída que não seja cada um de nós começando a colocar mais Amor neste mundo. E isso não significa querer que os outros ajam com Amor, e nem cobrar isso dos outros. Isso significa colocarmos mais Amor dentro de nós mesmos, porque no final das contas, só podemos mudar o que está ao nosso alcance, ou seja, a nossa própria atitude.

Dentro daquilo que minha experiência e entendimento permitem, penso que sim, existe algo que eu posso fazer para contribuir. Eu posso tentar deixar mais claro para as pessoas, o que aprendi como sendo o significado desse verdadeiro “AMOR”. Desse Amor que esses grandes líderes tanto defenderam ou demonstraram em suas vidas.  

Percebo que nesse nosso mundo conturbado, mentes iludidas distorcem totalmente este significado, e confundem Amor com algo romântico, utópico e até erótico.  E tenho certeza que enquanto existir esta confusão semântica, será muito difícil para as pessoas praticarem esse verdadeiro Amor.    

Por isso tentarei colocar de uma forma bem pragmática. De modo a,  quem sabe, simplificar a aplicação prática desse Amor em nossa vida. 

O que é Amor ?

Costumo definir esse verdadeiro Amor como um estado de  “Empatia Consciente”.  Calma ! Deixe-me explicar melhor porque esta definição é bem mais simples do que parece:

Amor é uma emoção composta por 2 partes: uma parte que é sentida, e outra parte que é manifestada sob a forma de atitudes ou ações. “Empatia” representa a primeira parte desta expressão, o “sentir Amor”.  Eu só posso sentir Amor por alguém quando tenho empatia com aquela pessoa, ou seja, quando consigo estabelecer uma conexão ou um vínculo muito forte com ela. Comumente chamamos isso de conseguir “colocar-me no lugar do outro”. Neste momento, literalmente, eu consigo sentir um pouco do que a outra pessoa sente, e compreender profundamente, o que a outra pessoa faz.  

Empatia é uma emoção natural do ser humano, e já foi observada também em outros animais como os grandes primatas, os golfinhos, os elefantes e até em cães. Ou seja, nós evoluímos geneticamente para sentir empatia, porque ela nos ajuda a viver melhor.

Surge então uma primeira grande dúvida. Se vejo uma pessoa em sofrimento ou em dor, e de alguma maneira sou próxima a esta pessoa ou gosto dela, então é fácil sentir empatia.  Mas quando vejo uma pessoa fazendo um ato que considero antiético, ou maldoso, ou mesmo contrário ao que eu acredito, e não sou próximo a esta pessoa, então não consigo sentir esta empatia. Porque quando me coloco no lugar dessa pessoa, a única coisa que me vem à mente é: “Eu nunca faria uma coisa dessas” ou “Se eu estivesse no lugar dessa pessoa eu faria diferente”. Com este pensamento criamos uma diferença, uma separação, uma desconexão, uma ausência de vínculos. E esta desconexão nos impossibilita de sentir empatia, e muito menos de vivenciar algum tipo de Amor.   

Sentir Amor por quem eu gosto parece ser fácil, mas será que é possível sentir Amor por aqueles que consideramos nossos inimigos, ou que simplesmente nos fazem mal, ou fazem coisas que não gostamos?  Aí reside o grande dilema…  Para pessoas que fazem ou dizem coisas que julgamos erradas, o mais provável é que nós despertemos emoções negativas como indignação e raiva, e também um desejo de combate, de punição, de vingança, de justiça. Despertamos um conjunto de emoções e desejos totalmente contrários àquele verdadeiro Amor.

E por que deveríamos procurar sentir esse verdadeiro Amor por pessoas que fazem coisas erradas ? Porque exatamente aí reside a grande oportunidade de mudança de nosso mundo! Se aqueles líderes que citei nos inspiram de alguma forma, então sim, definitivamente devemos procurar aprender com eles. Aprender a sentir este verdadeiro Amor por pessoas que fazem coisas que não gostamos ou não aprovamos.

Jesus Cristo falou para oferecermos a outra face e amarmos o próximo como a nós mesmos, Gandhi, Martin Luther King, Desmond Tuto e o Dalai Lama foram líderes que colocaram em prática estas palavras de Cristo. Por piores que foram as atrocidades que seus povos, e eles próprios, sofreram, em momento algum eles sentiram raiva ou ódio de seus opressores, e de forma alguma desejaram punição ou vingança para eles, mesmo quando tiveram poder para fazê-lo. Muito pelo contrário, eles demonstraram Amor para aqueles que lhe causaram mal. Todos eles possuíram, ou ainda possuem, a mesma convicção, a de que só o Amor seria a solução para os problemas deste mundo.  E deram exemplo disso, eles viveram esse Amor em suas vidas.

A grande pergunta então é, será que conseguimos sentir o Amor que estes líderes nos ensinam por aquelas pessoas que nos fazem mal ?..  Ora, claro que conseguimos!. Afinal esses líderes não eram alienígenas, eles eram seres humanos como nós, e não haveria sentido algum em seus ensinamentos se não fosse possível também aprendermos a fazer como eles, não é mesmo?

Mais amor em nossas vidas

Então vamos a uma dica prática e simples para colocarmos mais desse Amor em nossa vida. A dica é praticar mais a Empatia. E sabe como podemos fazer isso ? Eliminando de nossa mente aqueles pensamentos e frases que foram citados: “Eu nunca faria uma coisa dessas” e “Se eu estivesse no lugar dessa pessoa eu faria diferente” , porque ambos são pensamentos falsos. Tratam-se de grandes mentiras que contamos para nós mesmos.

Mas porque é uma mentira? Pelo seguinte: Empatia, ou seja, “Colocar-se no lugar do outro” não significa eu, com os valores que aprendi em minha vida, com as experiências que passei em minha vida e com os sentimentos que desenvolvi em minha vida, de repente me imaginar fazendo aquilo que a outra pessoa fez… Isso não tem menor cabimento !.. Trata-se de uma atitude extremamente confortável de minha parte, porque estou aqui sentado em minha cadeirinha, vivendo a vida que eu vivi, com o acesso a todo o aprendizado que eu tive, e dizendo que não faria o que outra pessoa fez… Ou seja, condenando a pessoa porque, segundo o meu julgamento, ela fez algo de errado… Isso é muito fácil e não significa, de forma alguma, colocar-se no lugar da outra pessoa. Significa sim, julgar a outra pessoa de forma totalmente superficial e injusta.  

Colocar-se verdadeiramente no lugar do outro significa pensar como se tivesse nascido, aprendido e experimentado tudo que aquela pessoa aprendeu e experimentou na vida dela, ou seja, significa pensar como se tivesse vivido toda a vida que aquela pessoa viveu. Aí sim, teríamos uma chance de estar sendo verdadeiros e justos em nosso julgamento. E será que conseguimos fazer isso?  Certamente que não. Por isso todo e qualquer julgamento que elaborarmos é superficial e injusto.   

Para estabelecer empatia, a pergunta lógica de se fazer na prática é: “Será que se eu tivesse vivido toda a vida daquela pessoa (ao invés de ter vivido a minha vida), eu não faria a mesma coisa que ela fez ?”… Ao refletirmos sobre esta pergunta, podemos eliminar o julgamento pela raiz, pois não seremos capazes de dizer não. Iremos perceber que sim, que nesse caso seria totalmente possível que eu fizesse exatamente a mesma coisa que ela fez, mesmo que tenha sido o pior dos crimes…

Com esta reflexão, ao invés de enxergarmos a pessoa como alguém totalmente diferente de nós (e portanto repugnante) passamos a enxergá-la como alguém muito parecido conosco. Na verdade como um ser humano igual a nós…  Um ser humano que viveu outra vida, em outro ambiente, com outras experiências. Que portanto não teve oportunidade de aprender o que nós já aprendemos, e que por isso sente o que sente, e age da forma que age… Com esta reflexão nós passamos a compreender a pessoa, e geramos assim uma conexão onde antes não existia.  Com isso, nós não conseguimos mais desenvolver uma emoção negativa contra aquela pessoa. Nós não conseguimos mais ter raiva e nem ficar indignados. Nós não conseguimos mais desejar a punição ou a vingança contra aquela pessoa… Muito pelo contrário. Nós conseguimos sentir empatia, nós conseguimos sentir aquele verdadeiro Amor.

E após conseguirmos vivenciar esse sentimento de Amor, podemos então dedicar-nos à segunda parte, ou seja, à manifestação desse Amor.

Ao gerarmos esta conexão com o outro, nós passamos a pensar, de coração, em algo que podemos fazer para ajudar esta pessoa. Passamos a pensar em atitudes ou ações conscientes cujo objetivo é somente o bem dela. Ajudá-la a despertar para algo que ainda não despertou. A perceber algo que ainda não percebeu. A sentir uma felicidade que ainda não sentiu.  Nós não conseguimos mais ter sentimentos ruins para com as pessoas, nós passamos a entendê-las e a querer, genuinamente, o bem delas.

“Empatia” vem de sentir Amor, e “Consciente” vem de manifestar este Amor. Ao colocarmos esta Empatia Consciente em nossa vida, ou seja, ao sentirmos e manifestarmos este verdadeiro Amor que nos conecta com as outras pessoas, estamos cortando todo o mal do mundo pela raiz… Estamos acabando com as diferenças que levam às divergências, que levam às emoções negativas, que levam aos conflitos, que levam à violência, que levam às guerras. Por isso penso que não existe contribuição maior que eu possa dar para o mundo, do que ajudar as pessoas a despertar um pouco mais para esse Amor. Do que lembrá-las dia após dia da seguinte pergunta: “Será que se eu tivesse vivido toda a vida daquela pessoa (ao invés de ter vivido a minha vida), eu não faria a mesma coisa que ela fez ?”.

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